Bioestimulador de colágeno nos glúteos: o que a ciência mostra

O uso de bioestimuladores de colágeno na região dos glúteos é tema de dois consensos internacionais de especialistas publicados entre 2024 e 2026, um sobre o ácido poli-L-láctico e outro sobre a hidroxiapatita de cálcio. Os documentos tratam de contorno, flacidez e qualidade da pele, mas reconhecem que a base de evidências ainda é pequena, e ambos tiveram apoio financeiro de fabricantes. Em março de 2026, o Informe de Segurança GGMON nº 01/2026 da Anvisa, sobre preenchedores dérmicos, ganhou repercussão na imprensa: o documento alerta que o uso fora das indicações previstas nas instruções de uso pode causar complicações graves.
Resposta rápida: bioestimuladores de colágeno são substâncias injetáveis que provocam, no tecido, uma resposta que leva à produção de colágeno. Nos glúteos, a literatura descreve uso para contorno, flacidez e aspecto da pele, em geral em mais de uma sessão e com efeito gradual, ao longo de semanas a meses. Os estudos são pequenos, em sua maioria sem grupo de comparação, e o procedimento tem riscos, entre eles a oclusão vascular, rara e grave. A indicação é sempre decisão médica.
Quem quer conhecer o procedimento como um todo encontra a página sobre bioestimulador de colágeno, com informações sobre o atendimento da Dra. Mirele Fadel. Para quem procura o tema na região glútea, há ainda as páginas de preenchimento de glúteos e de flacidez corporal.
O que são bioestimuladores de colágeno
O colágeno é a proteína que dá sustentação à pele, e a pele pode perder firmeza e ganhar aspecto ondulado, com covinhas. Os bioestimuladores são produtos injetáveis desenhados para provocar uma resposta do organismo que resulte em formação de colágeno novo.
Os dois tipos mais estudados na região glútea são o ácido poli-L-láctico (PLLA) e a hidroxiapatita de cálcio (CaHA). Segundo o Informe de Segurança GGMON nº 01/2026, publicado no portal da Anvisa, os preenchedores dérmicos, entre eles os de PLLA e de CaHA, enquadram-se nas classes de risco III ou IV (alto e máximo) e só podem ser comercializados se tiverem registro na agência. O artigo não avalia o registro de nenhum produto específico.
Como eles agem no tecido
Os dois produtos não atuam do mesmo jeito. De acordo com análise publicada na revista Skin Res Technol em 2024, a CaHA é formada por microesferas lisas, a maioria entre 25 e 45 micrômetros, e, segundo os autores, estimula os fibroblastos, as células que produzem colágeno, por ativação mecânica. O PLLA, por sua vez, tem partículas irregulares, em forma de pequenas lascas, e os autores propõem que depende da participação do sistema imunológico para induzir a formação de colágeno. O estudo foi apoiado pelo fabricante da CaHA, e dois autores são funcionários da empresa.
O consenso internacional sobre PLLA no corpo, publicado em 2024 na Aesthetic Plast Surg, descreve uma reação leve e localizada ao redor das microesferas, que dura alguns meses. Com o tempo, o material se degrada em dióxido de carbono e água, e o colágeno se deposita no tecido. O consenso sobre CaHA, de 2026, descreve que o produto sem diluição oferece correção imediata de volume, enquanto o diluído é usado principalmente para promover o efeito bioestimulador de longo prazo.
O que a literatura diz sobre os glúteos
O consenso sobre CaHA reuniu sete especialistas de cinco países e propõe, como ordem de prioridade, a correção do contorno, depois o volume e, por fim, a qualidade da pele e a celulite. Os autores relatam que melhora de flacidez e de covinhas aparece em estudos com seguimento de 90 dias a 9 meses. Eles mesmos afirmam, porém, que as recomendações não devem ser interpretadas como diretriz clínica baseada em evidências: a literatura sobre glúteos se resume a estudos pequenos, séries e relatos de casos, com amostras de 1 a 61 pacientes, e o grupo não usou método formal de votação nem o método Delphi, incluindo apenas pontos com concordância unânime entre os sete.
No caso do PLLA, o consenso de 2024 cita um estudo duplo-cego com divisão do corpo ao meio, em que 20 mulheres com flacidez leve a moderada nos glúteos ou nas coxas receberam o produto de um lado e uma injeção-controle do outro. A profundidade das covinhas, medida por escala própria, caiu 40% no lado tratado, e o aspecto morfológico da pele melhorou 22,5%. Em outro estudo aberto, com 30 mulheres, mais de 80% mantiveram melhora de pelo menos um ponto em escala global seis meses após a última sessão.
Há ressalvas importantes nas duas publicações. O consenso sobre PLLA informa que o produto é aprovado para uso estético facial desde 1999 na Europa e desde 2009 nos Estados Unidos, e que o estudo em áreas do corpo, como glúteos e coxas, é mais recente e segue em andamento. O consenso sobre CaHA lista como indicações aprovadas as rugas e dobras do rosto, o colo, o contorno da mandíbula e o dorso das mãos, sem incluir os glúteos, onde fala em evidência crescente. Esses textos descrevem a situação na Europa e nos Estados Unidos, e não o que consta nas instruções de uso de cada produto no Brasil.
Outra ressalva diz respeito ao financiamento. O consenso sobre CaHA tem dois autores com vínculo com o fabricante, que financiou o apoio à redação, embora o artigo afirme que a empresa não participou da elaboração das declarações. O consenso sobre PLLA foi financiado por doação educacional irrestrita do fabricante, e vários autores são funcionários da empresa. Por isso, os dois textos servem de mapa da prática atual entre especialistas, e não de prova definitiva nem de protocolo para ser seguido.
Em quanto tempo o efeito aparece
O efeito dos bioestimuladores é gradual, porque depende da formação de colágeno pelo próprio organismo. O consenso sobre CaHA descreve melhora progressiva e propõe acompanhamento final de 9 a 12 meses. Entre os estudos citados, um com 24 pacientes relatou melhora substancial na 14ª semana, e um estudo randomizado com 61 mulheres encontrou melhora de flacidez e covinhas ainda no nono mês. Os dois consensos mencionam esquemas de cerca de três sessões, com intervalos de 4 a 6 semanas, mas o de CaHA também cita faixas diferentes em outras partes do texto.
Esses números são opiniões de painéis de especialistas patrocinados, não uma diretriz baseada em evidências, e descrevem o que foi estudado, não o que acontecerá com cada pessoa. Eles não servem de roteiro para o leitor: produto, número de sessões e intervalo são decisões do médico, que variam com a anatomia, com a qualidade da pele e com o objetivo discutido na consulta. A literatura consultada não estabelece por quanto tempo o efeito dura nos glúteos.
Riscos e cuidados
Segundo o consenso sobre CaHA, os eventos adversos descritos são em geral leves e passageiros, como edema (inchaço), vermelhidão, dor e manchas roxas. Em um dos estudos citados, manchas roxas ocorreram em 8,3% dos pacientes. O consenso sobre PLLA registra nódulos em um paciente no estudo de glúteos, de grau leve, resolvido em 38 dias. A literatura em geral descreve nódulos como uma complicação possível, e a conduta para tratá-los é médica.
O risco mais grave é a oclusão vascular, que ocorre quando o produto bloqueia ou comprime um vaso. O consenso sobre CaHA a descreve como incomum, mas potencialmente séria, e afirma que as complicações vasculares não podem ser totalmente evitadas. Uma revisão sistemática de estudos em cadáveres, publicada em 2025 na JPRAS Open, analisou 31 trabalhos sobre preenchedores e enxertos de gordura em geral, e não especificamente sobre bioestimuladores. Ela apontou a região glútea entre as de maior risco para embolia, com os vasos glúteos profundos como principal via. Os autores relatam que pequenos volumes de preenchedor bastaram para causar complicações graves, como embolia pulmonar, e sugerem técnicas como ultrassom, injeção em baixa pressão e cânulas de ponta romba. Eles próprios ressalvam que estudos em cadáveres não reproduzem plenamente as condições dinâmicas de uma pessoa viva, e que há diferenças entre os estudos incluídos e possível viés de publicação.
No Informe GGMON nº 01/2026, publicado no portal da Anvisa, a agência lista, entre os riscos graves associados aos preenchedores usados fora das indicações previstas, a embolia pulmonar, o comprometimento temporário ou permanente da visão por oclusão vascular, a necrose de tecido e a inflamação granulomatosa. O informe orienta o paciente a usar apenas produtos registrados na Anvisa, para as indicações e as regiões do corpo previstas nas instruções de uso, a confirmar se o serviço é autorizado e o profissional, qualificado, e a procurar atendimento diante de qualquer sinal ou sintoma durante ou após o uso. Recomenda ainda que o profissional entregue ao paciente o cartão de rastreabilidade com os dados dos produtos aplicados. Suspeitas de eventos adversos podem ser notificadas pelo sistema e-Notivisa.
Podem existir condições de saúde, medicamentos em uso e situações pessoais em que o procedimento não é indicado ou pede cuidados especiais. Por isso, na consulta médica tudo é analisado com atenção e em detalhes antes de qualquer decisão.
Bioestimulador, preenchimento e outros caminhos para a flacidez
O termo “preenchimento” costuma ser usado para produtos que acrescentam volume, enquanto o bioestimulador tem como foco a qualidade da pele. Na prática, a fronteira é menos nítida: segundo o consenso de 2026, a CaHA sem diluição corrige volume de forma imediata e a diluída atua principalmente na bioestimulação. Há outras abordagens para flacidez e covinhas, e a escolha depende da história, do exame físico e das expectativas da paciente, não de um protocolo único.
Quem atende e onde
A Beauty Discovery Clinic atende em Londrina, em Ibaiti e em São Paulo, no Itaim Bibi, onde a Dra. Mirele Fadel realiza consultas médicas. Nelas, a indicação de qualquer procedimento corporal é discutida com base na história e no exame de cada paciente.
Quando procurar um médico
Procure atendimento imediato, no local onde o procedimento foi feito ou em um serviço de urgência, se após a aplicação surgirem dor intensa, palidez ou mudança de cor da pele, manchas arroxeadas em rede, bolhas, falta de ar, dor no peito ou alteração na visão. A Anvisa orienta procurar atendimento de saúde diante de qualquer sinal ou sintoma durante ou após o uso de preenchedores. Caroços que persistem ou vermelhidão com febre também pedem atendimento médico.
Perguntas frequentes
Bioestimulador de colágeno serve para flacidez nos glúteos?
Os consensos e estudos citados descrevem uso para flacidez leve a moderada, covinhas e aspecto da pele, com melhora gradual. A evidência, porém, vem de estudos pequenos, e a indicação para cada pessoa depende da análise médica.
Quantas sessões são necessárias?
Não existe um número válido para todos. Os consensos, patrocinados por fabricantes e sem valor de diretriz, relatam esquemas em série, mas isso descreve a literatura, não uma orientação ao leitor. Quem define produto, sessões e intervalos é o médico, depois da consulta.
O procedimento tem riscos?
Sim. Hematomas e inchaço costumam ser leves e passageiros. Nódulos e a oclusão vascular são possíveis, esta última rara, porém grave, e exige atendimento imediato. A escolha de produto regularizado e de profissional qualificado reduz riscos, mas não os elimina.
Todos os bioestimuladores de colágeno funcionam do mesmo jeito?
Não. Bioestimuladores diferentes usam substâncias e partículas diferentes, e cada produto tem bula, indicações e registro próprios. A análise de partículas citada neste texto descreve, por exemplo, microesferas lisas em um tipo e partículas irregulares em outro. A escolha cabe ao médico.
Referências
- Anvisa. Informe de Segurança GGMON nº 01/2026 (Tecnovigilância): riscos do uso de preenchedores dérmicos fora das indicações previstas nas instruções de uso
- Wojan F et al. Calcium Hydroxylapatite for Buttock Augmentation: A Global Expert Consensus on Best Practices and Treatment Considerations. J Cosmet Dermatol, 2026;25(8):e71123 (apoio de redação financiado pelo fabricante)
- Haddad A et al. Injectable Poly-L-Lactic Acid for Body Aesthetic Treatments: An International Consensus on Evidence Assessment and Practical Recommendations. Aesthetic Plast Surg, 2025;49(5):1507-1517 (publicado online em 2024; financiado pelo fabricante)
- McCarthy AD et al. A morphological analysis of calcium hydroxylapatite and poly-l-lactic acid biostimulator particles. Skin Res Technol, 2024;30:e13764
- Azizmanesh M et al. Mechanisms of fat and soft tissue filler embolism following aesthetic injections: a cadaveric systematic review. JPRAS Open, 2025;46:9-21
Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.
Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.
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