Preenchimento labial com ácido hialurônico: o que saber

O preenchimento labial com ácido hialurônico é um procedimento médico em que o gel é injetado nos lábios para alterar volume, contorno ou projeção. Em março de 2026, a Anvisa alertou que preenchedores aplicados em regiões não indicadas e em quantidades não previstas podem causar danos graves, o que reforça a importância de entender o que o procedimento envolve antes da consulta.
Resposta rápida: o ácido hialurônico é usado nos lábios para repor volume, definir contorno ou melhorar a projeção. Inchaço e roxos são comuns e costumam ser leves. Complicações graves, como a oclusão de um vaso sanguíneo, são raras, mas exigem atendimento imediato. A indicação, a técnica e o produto são decisões do médico, caso a caso.
Para conhecer o procedimento como um todo, há uma página dedicada ao preenchimento labial, com informações sobre como funciona o atendimento médico da Dra. Mirele Fadel.
Para que o procedimento é usado
O ácido hialurônico é uma substância presente naturalmente na pele. Nos preenchedores, ele é produzido em laboratório, em forma de gel, e registrado como dispositivo médico. Nos lábios, o médico pode usá-lo para tratar perda de volume, assimetrias, contorno pouco definido ou projeção reduzida. Parte dos pacientes também procura o procedimento pela aparência de maior hidratação da região. O resultado depende da anatomia de cada pessoa, e nenhum médico pode garantir um desfecho específico.
O que a Anvisa orienta
Segundo a Anvisa, em alerta divulgado em 12 de março de 2026 e noticiado pela Agência Brasil, os preenchedores são dispositivos médicos de risco alto e máximo e só podem ser vendidos com registro na agência. O órgão afirma que a aplicação em regiões anatômicas não indicadas e em quantidades não previstas pode causar danos à saúde. Entre os efeitos graves listados estão a perda de visão por oclusão vascular e a embolia pulmonar.
A agência recomenda que o paciente confira, antes do procedimento, se o produto está regularizado, se o serviço é autorizado e se o profissional é qualificado. Também orienta receber o cartão de rastreabilidade do produto, cuja cópia deve ficar no prontuário. Suspeitas de eventos adversos podem ser relatadas à própria Anvisa.
Efeitos esperados e riscos
Uma revisão sistemática com metanálise de ensaios clínicos de preenchedores de ácido hialurônico no rosto, publicada na revista Cureus em 2023, encontrou inchaço em cerca de 41% dos casos e hematomas em cerca de 11%, com grande variação entre os estudos. Os autores descrevem os eventos como leves, reversíveis e esperados, e relatam que os estudos incluídos não registraram eventos adversos graves. A mesma análise mostrou mais inchaço e caroços em regiões como lábios e meio do rosto do que na dobra do nariz, embora não tenha separado os lábios das demais áreas.
Os ensaios clínicos, porém, deixam de fora a maior parte dos relatos de complicações graves. Entre elas está a oclusão vascular, que ocorre quando o produto bloqueia ou comprime um vaso. Segundo revisão sistemática publicada na Revista Brasileira de Cirurgia Plástica em 2020, o quadro costuma começar com palidez da pele, seguida de manchas arroxeadas em rede e, sem tratamento, pode evoluir para bolhas, úlceras e necrose. Os autores afirmam que o procedimento deve ser interrompido ao primeiro sinal de comprometimento vascular e que o tratamento precoce com hialuronidase, enzima que degrada o ácido hialurônico, é central. Revisão de 2024 na JMIR Dermatol também descreve a hialuronidase como essencial na prática estética e indica que oclusão vascular e perda de visão exigem tratamento imediato, observando que há poucos dados controlados e que a dose e a técnica são definidas pelo médico.
Herpes labial e outras condições a informar
O herpes labial pode reativar depois de procedimentos que rompem a pele, como injeções nos lábios. Segundo o guia do grupo britânico Complications in Medical Aesthetics Collaborative, publicado no J Clin Aesthet Dermatol em 2021, a conversa antes do procedimento deve incluir perguntas sobre herpes labial, e o procedimento deve ser adiado diante de sintomas iniciais ou de lesão ativa. O mesmo guia indica profilaxia com antiviral para quem já teve surto depois de um procedimento estético. O Aesthetic Complications Expert Group também defende o tratamento preventivo para quem já teve herpes e fará aumento labial. Os próprios textos reconhecem que essa conduta se apoia na prática clínica, e não em ensaios randomizados. Quem prescreve, quando e com qual medicamento é decisão médica.
Por isso, a consulta inclui informar histórico de herpes, alergias, uso de medicamentos, gestação ou amamentação, e se houve procedimentos anteriores na região.
Quem faz e onde
A Beauty Discovery Clinic atende em Londrina, em Ibaiti e em São Paulo, no Itaim Bibi, onde a Dra. Mirele Fadel realiza consultas médicas. Nelas, a indicação de qualquer procedimento labial é discutida com base na história e no exame de cada paciente.
Quando procurar um médico
Procure atendimento imediato, no local onde o procedimento foi feito ou em um serviço de urgência, se após a aplicação surgirem dor intensa, palidez ou mudança de cor da pele, manchas arroxeadas em rede, bolhas ou alterações na visão. A Anvisa orienta buscar atendimento qualificado diante de sinais de complicação. Inchaço que aumenta, caroços que persistem ou vermelhidão com febre também pedem atendimento médico.
Perguntas frequentes
O preenchimento labial é seguro?
É um procedimento médico com riscos conhecidos. A maior parte dos efeitos, como inchaço e hematoma, tende a ser leve e passageira, segundo a metanálise publicada na Cureus. Eventos graves, como a oclusão vascular, são descritos como raros, mas exigem atendimento imediato, e a segurança depende de indicação correta, produto registrado e profissional habilitado.
O ácido hialurônico pode ser desfeito?
A hialuronidase é uma enzima que degrada o ácido hialurônico e é usada pelos médicos para tratar complicações, de acordo com a JMIR Dermatol. Ela não é um recurso para uso por conta própria: quem decide se, quando e como usá-la é o médico responsável, caso a caso.
Quem já teve herpes labial pode fazer?
A história de herpes deve ser informada na consulta, porque o procedimento pode reativar o vírus. O médico analisa se há necessidade de adiar a aplicação ou de medidas preventivas.
Como saber se o produto é regularizado?
A Anvisa orienta verificar o registro do produto, receber o cartão de rastreabilidade e confirmar que o serviço é autorizado e o profissional, qualificado.
Referências
- CNN Brasil (Agência Brasil), 13/03/2026: Anvisa alerta para riscos de preenchimento com ácido hialurônico e PMMA
- Colon J et al. Adverse Events Reported From Hyaluronic Acid Dermal Filler Injections to the Facial Region. Cureus, 2023
- Daher et al. Complicações vasculares dos preenchimentos faciais com ácido hialurônico. Rev Bras Cir Plást, 2020;35(1)
- Hyaluronidase for Dermal Filler Complications: Review of Applications and Dosage Recommendations. JMIR Dermatol, 2024
- Vaghela D et al. Guideline for the Management Herpes Simplex 1 and Cosmetic Interventions. J Clin Aesthet Dermatol, 2021;14(6 Suppl 1):S11-S14
- King M. Prophylaxis and Treatment of Herpetic Infections (Aesthetic Complications Expert Group). J Clin Aesthet Dermatol, 2017;10(1):E5-E7
Importante: este artigo tem caráter informativo e educativo. Ele ajuda a entender o tema, mas não permite diagnosticar, tratar nem decidir sozinho sobre a sua saúde. Cada pessoa tem uma história diferente: para analisar o seu caso, converse com um médico.
Informações conferidas com as fontes citadas. Última revisão: outubro/2026.
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